30/11/17

Estado de Vigilância | exposição de Sama | ZineFestPt 2017


"Em literatura, cinema ou no universo das bandas desenhadas, eu sempre curti uma “distopia”. Uma visão sombria de um futuro punitivo para a nossa cruel negligência humana… Mas confesso que nunca imaginei que iria vê-la acontecer de verdade, mesmo depois de tantas guerras, crises e conquistas.

Penso que devíamos ter aprendido mais com a nossa história.

O curioso, é que, com exceção de algumas zonas em conflito,”oficialmente” o mundo está em paz. Mas mesmo assim podemos identificar no globo, várias características distópicas ocorrendo a nossa volta, tais como nas obras: “1984”, “Admirável Mundo Novo”, “Choque do Futuro”, “Fahrenheit 451” entre outras… Identificamos na nossa realidade, sombrias previsões destes livros que estão a acontecer, inclusive até em alguns países que declaram-se como democracias laicas.

Enquanto você lê estas linhas, nalguns sítios deste planeta está a ocorrer: a proibição de publicações e leitura de determinados livros, a censura de exposições de arte, crenças fundamentalistas a substituir conceitos científicos, gentrificação e monetização do indivíduo, destruição sistemática do meio ambiente, segregação econômica e racial entre povos, além de outras aberrações em nome da nova ordem que quer tomar o universo para si. Tudo isso passa-se sob o véu da ilusão de que existimos numa comunidade globalizada e tolerante onde desfrutamos da opção da “hiper-escolha”, tão valorizada no chamado, mundo livre. Livre para o capital, só se for, porque neste cenário, está cada vez mais difícil para o indivíduo existir na sua plenitude sonhadora. Se o que era ficção tornou-se real, fique atento, pois nesta lógica, em breve você será a ficção, um mero dado a ser acrescentado no grande arquivo da máquina.

Ouvi dizer que sonhar nos mantém fora do alcance da máquina. Mas sonhe em estado de vigilância, porque a máquina não dorme."

Sama, 2017

ZineFestPt 2017 | 1, 2 e 3 Dezembro | Programação



O ZineFestPt 2017 acontece nos próximos dias 1,2 e 3 de Dezembro, no Centro Comercial de Cedofeita. Organizado pelo Atelier 3|3, aqui celebra-se e divulgam-se diversas áreas da produção artística contemporânea, sempre marcadas pela interdisciplinaridade, com destaque para a micro-edição, a auto-edição, a publicação independente e a cultura “alternativa” associada aos livros e sobretudo aos fanzines. Sem convenções nem beco de artistas! 

Dia 1
Sexta-Feira 

10h00 / 13h00 - Oficinas Criativas (consultar: https://zinefestpt.wordpress.com/2017/11/24/programa-zinefestpt-2017-oficinas-criativas/)
14h00 / 20h00 - MERCADO DE EDIÇÕES 
14h00 / 15h00 - Música SYNTH MUITO SESSION, por Marta Hari
15h30 - Apresentação do livro “Sexo, drogas & talvez Rock ‘n’ Roll”, de Paulo Pinto
16h00 - Ação Performativa “Um, dois e três”, por Clara Não
17h00 - Lançamento do Zine “Estação”, de Ema Gaspar
17h30 - Lançamento “Feeling Out of Place”, de Cristiana Figueiredo, edições 3|3
18h00 - Pré-lançamento “Pele”, da Flanzine
18h30 - Apresentação do Zine Mucomorphia #2, de Filipe Felizardo
19h00 - Lançamento de Zine Mariano #2, pel’ O Gato Mariano
19h30 - Conversa sobre o colectivo Nicebut girls – trabalho transdisciplinar e transnacional na área das publicações pelo três membros do colectivo
20h30 / 22h00 - Jantarzineiro com a & sonora de Xico Ferrão

Clara Não


Feeling Out of Place
Mariano nº 2

Mucomorphia nº 2

Dia 2 
12h00 - Integrada nas oficinas criativas Apresentação “Nem Todos os Cactos têm Picos”, de Mosi 
14h00  / 20h00 - MERCADO DE EDIÇÕES 
12h00 - Integrada nas oficinas criativas Apresentação “Nem Todos os Cactos têm Picos”, de Mosi
14h00 / 15h00 - Música NaTaLeTaL, pel’ O Cão Voyeur
15h30 - Apresentação-Ação “Umbu”, editora de não-livros. Editora de experiências. Experiências de uma não-editora
16h00 - Apresentação/Conversa “Olhar a folha com olhos de fala”, por Regina Guimarães, Saguenail e PAM
16h30 - Apresentação “Music is a Fucking Deal”, por Helena Granjo, Edições PhosPrint
17h00 - Apresentação/Conversa “Auto-edição no vídeo e na fotografia: convergências e interferências”, com Marta Valverde
18h00 - Apresentação e conversa “Daqui para a frente”, por Paulo Pimenta
19h00 - Conversa “Qu’é da crítica?!”, com Tiago da Bernarda, Marcos Farrajota e André Coelho
20h00 / 21h30 - Jantar Fora da Lei, no Poleiro DJ Set Punk, pel’ O Gato Mariano
21h30 / 22h30 - Concerto - Sereias


Dia 3 
Domingo 

10h00 / 13h00 - Oficinas Criativas (consultar: https://zinefestpt.wordpress.com/2017/11/24/programa-zinefestpt-2017-oficinas-criativas/) 
14h00 / 20h00 - MERCADO DE EDIÇÕES 
14h00 / 15h00 - Vai Botar Música, de André Coelho
15h00 / 16h00 - DJ Set Hip Hop, pel’ O Gato Mariano
16h00 - Apresentação/Lançamento “Leave nothing but carbon footprints”, por Foxitalic
16h30 - Conversa “How to be inclusive and non-discriminating in Illustrations”, com Foxitalic
17h00 - Instalação The Walk e Conversa OUT OF MIND, com o autor Tommy Musturi
18h00 - Conversa “Faneditor e coleccionador de fanzines”, com Geraldes Lino



 Todos os dias, on continuum 

Retratos à la minuta, por Wonder BOX 
Exposição Interactiva Instalação/Ação “Se esta exposição fosse minha”, de Ema Gaspar e Mariana Malhão
Apresentação/Ação “Drop in”, por GREY Darkroom 
Sessões de Ilustrações na pele, “A Pele que desenhas”, por Patricia Shim e Agata Gonçalves a convite do pré-lançamento “Pele”, da Flanzine 
Oficina de Serigrafia colectiva – Atelier SER

28/11/17

O Ateneu por Marcello Quintanilha, Polvo 2017

O Ateneu é um dos mais recentes títulos publicados pela Polvo e é a adaptação para bd de Marcello Quintanilha da obra O Ateneu (1888) de Raul Pompeia (1863-1895), um clássico da literatura brasileira de tom impressionista e realismo crítico sobre a sociedade brasileira do final do século XIX.

Sérgio, de 11 anos, tem de largar os brinquedos, o conforto caseiro e o carinho dos pais, para iniciar uma nova fase da sua vida: o internato. É por isso matriculado no renomado Ateneu, comandado pelo ilustre director Aristarco, uma figura ostensiva e luxuosa. Se a princípio se deslumbra com a aura de excelência que envolve o colégio, depressa se vê sozinho num ambiente que lhe é estranho. Um sistema repressor que fomenta a hostilidade entre estudantes faz com que as suas ilusões rapidamente se esfumem. Sérgio tem de ser forte o bastante e aprender a lutar para se impor e sobreviver.

Editada originalmente pela Editora Ática na série Clássicos Brasileiros em HQ em 2012, Quintanilha, nas notas de imprensa dessa edição disse que pretendeu destacar “…a atmosfera da história e tornar toda a massa de alunos do Ateneu e o próprio colégio em um único organismo, vivo, assustador, constituído quase da mesma matéria, plasmando, assim, aquilo que talvez seja o principal pilar do romance, o de uma verdade filtrada, assimilada, estratificada a partir dos olhos de Sérgio”

A edição da Polvo foi lançada, com a presença do autor, no 28º Amadora BD, onde esteve patente a exposição O Cronista Quintanilha, que incluiu, além d’O Ateneu, pranchas originais de outras obras suas já publicadas pela Polvo: Tungsténio, Talco de Vidro e Fealdade de Fabiano Gorila.
 
pág 6
 
pág. 10
Marcello Quintanilha nasceu em Niterói, Brasil, em 1971. Começou no início dos anos 90 por desenhar histórias sobre artes marciais para a revista Mestre Kim, da Bloch Editores, com o pseudónimo de Marcello Gáu.

O seu primeiro livro Fealdade de Fabiano Gorila foi publicado em 1999, e é baseado na vida do seu pai, que foi jogador de futebol do Canto do Rio na década de 1950.

Mais tarde, em 2003, segundo argumentos do argentino Jorge Zentner e do espanhol Montecarlo, começa a desenhar para a série Sept balles pour Oxford, publicada pela editora belga Le Lombard. Estabelece-se a partir de 2002 em Barcelona e ilustrações suas surgem então nos jornais espanhóis El País e Vanguardia. Ao mesmo tempo, continua a produzir álbuns para o público brasileiro: Salvador (2005), Sábado dos meus amores (2009), Almas Públicas (2011), O Ateneu (2012), Tungstênio (2014), Talco de Vidro (2015) e Hinário Nacional (2016).
 
pág. 36
 
pág. 50
A edição francesa de Tungsténio foi premiada no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême de 2016. Ainda em 2016 vence, no Brasil, um HQMix, na categoria Destaque Internacional, pelas edições portuguesas de Tungsténio e Talco de Vidro, distinção que se repetiu em 2017.


O Ateneu
Marcello Quintanilha
84 págs., cores e preto e branco, capa a 4 cores, com badanas
ISBN: 978-989-8513-73-1
€13,99 euros
Polvo, Outubro 2017

Maximum Rocknroll #414 Nov. 2017


Em breve disponível na Black Mamba Distro
November 2017 issue will teach you a thing or two all about the History of Alabama Punk! This issue features the first of a two part series all about the DIY scene throughout Alabama, with this part focusing on Birmingham. But our focus on Alabama is not entirely retrospective; BAD EXAMPLE will catch everybody up to speed on current happenings in Birmingham. We also hear from Bay Area heartthrobs MIDNITE SNAXXX, who run through their tour of Alabama and a slew of other snacky tidbits We also catch up with not one, not two, but three bands as they begin their tours throughout the United States: São Paulo’s CANKRO talk about being an intercontinental band, Chicago’s C.H.E.W. finally reveal the meaning behind their name, and the nomadic PERIOD BOMB unleashes a treatise about the contemporary DIY scene. For international coverage, Sweden’s BRING THE DRONES discuss their supergroup status, Budapest’s PADKAROSDA dissect just what it means to be a Hungarian band, and New Zealand’s UNSANITARY NAPKIN find ways to resist Trump from the other side of the world. We also hear from the friends of Victoria Scalisi from DAMAD who tell us about her kindness and strength in the wake of her passing.